 |
 |
|
Nesta
figura mostramos em escala a órbita dos planetas Terra,
Marte e Júpiter, a região com maior concentração
de asteróides e a órbita do planeta anão
Ceres e dos asteróides Palas, Juno, Apolo e Ícaro.
(Winsconsin-Madison Univ.)
|
Um
pouco de História
Os
planetas mais brilhantes são conhecidos desde os primórdios
da humanidade pelos entendidos. Johannes Kepler (1571-1630)
sugeriu que deveria haver um planeta entre Júpiter
e Marte, bem como outro entre Vênus e Mercúrio.
Já Isaac Newton (1643-1727) achava que o grande interval
sem planetas entre Marte e Júpiter era de origem divina
pois mantinha os planetas gigantes longe dos planetas internos
e, portanto, longe da ação gravitacional destes.
As
mais interessantes especulações filosóficas
a respeito desse intervalo foram feitas por teólogos
em fins do século XVII e início do século
XVIII. Em 1776 Johann Daniel Titius (1729-1796) formulou uma
lei empírica que previa a distância entre o Sol
e os planetas. Essa lei foi convertida numa expressão
matemática, em 1778, por Johann Elert Bode (1747-1826)
e hoje é conhecida como lei de Bode, que é escrita
assim: d = 0,4 + 0,3 N onde d é a distância do
planeta ao Sol e n um número inteiro que vale 0, 1,
2, 4, 8, 16, 32, 64, 128. Substituindo o valor de N na expressão
encontramos as distâncias 0,4 (Mercúrio), 0,7
(Vênus), 1,0 (Terra), 1,6 (Marte), 2,8 (Desconhecido),
5,2 (Júpiter), 10,0 (Saturno), 19,6 (Desconhecido na
época) e 38,8 (Desconhecido na época). A lei
deixou evidente que haveria algo entre Marte e Júpiter,
bem como depois de Saturno.
Essas
especulações despertaram o interêsse de
astrônomos amadores e profissionais para buscar possíveis
planetas tanto na região desconhecida como após
Saturno. Assim, em março de 1781 William Herschel descobriu
o planeta situado à distância 19,6 que foi chamado
de Urano. A busca do planeta situado entre Marte e Júpiter
intensificou-se. O astrônomo Barão Francis Xaver
von Zach (1754-1832), em 1787 decidiu buscar o objeto existente
entre Marte e Júpoter. Como o trabalho era muito grande,
em 1799 optou por um trabalho conjunto e, dessa forma, em
setembro de 1800 dividiu a região do céu onde
passam o Sol e os planetas - o Zodíaco - em 24 partes,
com 15 graus em longitude, se extendendo 7 a 8 graus acima
e abaixo do plano da Eclítica.
Um
dos astrônomos que Zach convidou para participar de
seu projeto foi o Padre Giuseppe Piazzi (1746-1826) de Palermo,
Sicília. Em 1 de janeiro de 1801, Piazzi descobriu
um corpo celeste o qual batizou de Ceres Ferdinandea, Ceres
em homenagem à deusa da Sicília e Ferdinandea,
em homenagem ao seu patrono o Rei Ferdinand IV de Nápoles
e da Sicília. Como a comunidade internacional não
aceitou o nome Ferdinandea o corpo passou a chamar-se simplesmente
de Ceres. Quando foi descoberto pensou-se que se tratasse
do planeta perdido mas logo foram descobertos outros objetos
na mesma região: em 1802 Palas, por Heinrich Wilhelm
Mathias Olbers (1758-1840), Juno em 1804, por Karl Ludwig
Harding (1765- 1834) e Vesta novamente, por Olbers em 1807.
Dessa forma na região que a lei de Bode previa a existência
de um único planeta, na verdade haviam vários
corpos. William Herschel (1738-1822), em maio de 1801 informou
que esses corpos eram muito pequenos, quando comparados aos
planetas e propôs que fossem chamados de asteróides.
O papel da lei de Bode, ou melhor, de Titius-Bode atingiu
seu auge com a descoberta Netuno em 1846 por Johann Gottfried
Galle (1812-1910).
|
|
Ceres,
um planeta anão
|
|
Desde
seu descobrimento há mais de 200 anos, pouco se sabe
sobre Ceres. Durante muitos anos discutiu-se a respeito de
seu tamanho e só hoje sabemos que tem 932 x 960 km
e é portanto um pouco achatado. Sua
órbita está localizada entre a de Marte e a
de Júpiter, no Cinturão de Asteróides.
Devido a suas dimensões Ceres provavelmente representa
um corpo primitivo do Sistema Solar que não conseguiu
agregar mais material e converter-se num planeta. A massa
de Ceres corresponde a 25 percento da massa total dos asteróides
do Cinturão. Mas assim mesmo não é tão
maciço pois Plutão, um outro planeta anão
do Sistema Solar possui uma massa que é 14 vêzes
maior.
As
imagens tiradas pelo HST e liberadas em 2001 mostraram a provável
existência de uma cratera com cerca de 250 km de diâmetro,
resultante do impacto de um corpo com 25 km de diâmetro.
O achatamento de Ceres pode ser devido a este impacto. Como
o achatamento é muito grande é provável
que sua estrutura interna não seja homogênea.
|
 |
|
 |
|
 |
Fotografia
de Ceres. (It) |
|
Foto
de Ceres se movendo num fundo estrelado. |
|
Fotografia
de Ceres tirada pelo HST no ultravioleta. Podemos ver na região
central uma mancha escura a qual foi interpretada como uma
cratera com 250 km de diâmetro, denominada de Piazzi.
(NASA-HST-SwRI-liberada em novembro 2001)
|
|

|

|
|
Corte
de Ceres mostrando sua composição interna: um
núcleo rochoso circundado por uma camada de gelo de
água e uma crosta sólida e poeirenta.(NASA,
ESA, e A. Feild (STScI))
|
Estas
são algumas das várias fotos de Ceres tiradas
pelo HST entre dezembro de 2003 e janeiro de 2004. A região
brilhante, interpretada como uma cratera, na verdade ainda
é de natureza desconhecida. Embora apareça brilhante
na verdade é bastante escura, refletindo muito pouca
luz solar incidente. (NASA, ESA, J. Parker (Southwest Rsearch
Institute), P. Thomas (Cornell University), L. McFadden (Maryland
University, College Park))
|
Observações
mais recentes de Ceres efetuadas pelo HST em 2003 e 2004 indicam
que suas características são bastante semelhantes
às Terra, sendo um corpo rochoso. Mas pode ter um enorme
reservatório de água na forma de gelo sob sua superfície.
Ceres é um planeta anão completo e só não
ficou maior porque as perturbações gravitacionais
de Júpiter impediram que atraisse mais material e se tornasse
um planeta na sua plenitude. Sua densidade indica que deve conter
25% de sua massa na forma de gelo de água que corresponde
a mais água que existe na Terra. Ceres é tão
redondo como a Terra e isto sugere que seu interior deve ser constituido
por várias camadas. Modelos teóricos indicam que seu
núcleo deve ser rochoso, circundado por uma camada gelo de
água e com uma pequena crosta.
Ceres
deve possuir uma superfície bastante primitiva, com minerais
retendo água e possivelmente uma atmosfera muito tênue
e fina camada de gelo em alguns pontos da superfície.
Em 20
de junho de 2007 a NASA pretende lançar a nave denominada
Dawn que voará durante nove anos quando então entrará
inicialmente em órbita de Vesta e depois de Ceres. Deverá
passar até a 200 km da superfície desses corpos. Sua
trajetória inicialmente será na direção
de Marte. Quando passar pelas proximidades de Marte em março
de 2009 aproveitará sua força gravitacional e se lançará
na direção inicialmente de Vesta e depois de Ceres.
A espaçonave Dawn deverá entrar em órbita de
Vesta em setembro de 2011 ficando lá até abril de
2012 quando partirá para Ceres. Em fevereiro de 2015 chegará
em Ceres quando estudará, entre outras coisas, sua superfície,
sanando assim as nossas dúvidas. A missão principal
da Dawn terminará em julho de 2015.
|

|
|
Palas
possui um formato quase esférico e deve ter sua própria
gravidade. Os cientistas descobriram que existe água
misturada ao material que ele é constituido. Esse material
é muito duro e é constituido por carbono e magnésio.
A superfície de Palas é muito escura, mas reflete
suficiente luz para iluminar a face escura de sua pequena
lua. Esta lua ainda não foi confirmada mas, caso exista,
deve ser muito pequena. Para um asteróide de grandes
dimensões, sua órbita é muito inclinada,
com relação ao plano da eclítica, tendo
o valor de de 34,8 graus e excêntrica.
|
 |
|
 |
Nesta
arte vemos como seria, se confirmado, o sistema Palas e sua
pequena lua. |
|
Na
foto acima vemos Palas se movendo contra um fundo estrelado. |
|

|
|
Vesta
é o terceiro maior asteróide do Anel de Asteróides
e o único que pode ser visto a olho nú por ser
um dos mais brilhantes.
Podemos
ver na foto tirada pelo HST, que sua superfície se
assemelha muito à da Lua, com regiões escuras
e regiões brilhantes. Isso evidencia que Vesta geológicamente
é muito diferente da maioria dos asteróides.
Se o que ocorreu nesse asteróide se assemelhar ao que
houve na Lua, diriamos que no passado houve uma atividade
muito intensa no asteróide, tendo havido derramamento
de lava. Observações espectroscópicas
efetuadas a partir da Terra indicam que existem regiões
basálticas na superfície de Vesta, evidenciando
que um dia houve um núcleo derretido. Isso contrasta
com a hipótese de que eles são corpos frios,
formados por restos rochosos não utilizados na formação
dos planetas.
Observações
com o HST mostraram que nas proximidades do seu Polo Sul existe
uma cratera com 460 km de diâmetro, muito grando quando
comparada aos 530 km de diãmetro de Vesta. No centro
desta cratera temos um pico, com formato de cone, com 12 km
de altura.
Outra
interpretação seria que um de seus hemisférios
sofreu um bombardeio muito intenso, resultando na exposição
do seu subsolo. O material do hemisfério de cima, bem
amarelo, deve ser formado pelo que restou da crosta original
de Vesta, que se formou no início do Sistema Solar.
Isso só será elucidado quando a espaçonave
DAWN, a ser lançada em 27 de maio de 2006 entrar em
órbita de Vesta de julho de 2010 a julho de 2011. |
|

|
|
|
A
foto de cima, à esquerda foi tirada pelo Telescópio
Espacial Hubble em maio de 1996, quando Vesta se encontrava
a 170 milhões de quilômetros da Terra. Podemos
notar que ele é elíptico, devendo ter sofrido
um impacto muito grande na atual região polar Sul.
À sua esquerda temos a mesma imagem, agora restaurada.(NASA/
HST; B. Zellner (Georgia Southern University) Peter Thomas
(Cornell University)
|
Aqui
vemos o relêvo de Vesta. No hemisfério Sul existe
uma depressão na forma de uma cratera e no seu centro,
situado a 260 graus de Longitude, existe montanha com 12 km
de altura. Esse colorido é artificial, sendo que as cores
representam alturas como mostrado na escala, variando do azul
(mais baixa) ao vermelho (mais elevada). O hemisfério
Norte do asteróide é bem menos acidentado. (NASA/
HST; B. Zellner (Georgia Southern University) Peter Thomas (Cornell
University)) |
| Número
e Nome |
Diâmetro
(km) |
Período
de rotação (h=horas) |
Período
orbital (anos) |
Exentricidade
da órbita |
Classe
espectral |
Semi-eixo
maior (UA) |
Massa
(kg)
|
Descobridor |
Data |
1
Ceres
|
960
x 932 |
9,075
h |
4,6
|
0,0789
|
C
|
2,767 |
8,70x10^20
|
G.
Piazzi |
1801
|
| 2
Palas |
570x525x482
|
7,811
h |
4,61 |
0,2299
|
U
|
2,774 |
3,18x10^20
|
H.
Olbers |
1802 |
| 4
Vesta |
530 |
5,342
h |
3,63
|
0,0895
|
U
|
2,362
|
3,00x10^20
|
H.
Olbers |
1807 |
|
Esta
página foi revista e atualizada em setembro de 2006.
euscalise@hotmail.com |