A órbita do Cometa de Halley é bastante inclinada com relação ao plano dos planetas, e é retrógrada. Vemos também a posição que ocupa em sua trajetória em diferentes anos anteriores e posteriores a sua última passagem que ocorreu em 1986. Atualmente está próximo da órbita de Netuno.

 

O Cometa de Halley é o único cometa sempre esperado pela humanidade. Muito embora a passagem do Cometa de Halley em 1986 não tenha correspondido à expectativa da população a comunidade científica muito aprendeu. Aqui exporemos esses resultados e falaremos a respeito de sua história.

 

 

 

Foto do Cometa de Halley em sua passagem de 1910. (Royal Astronomical Observatory)

Em 1705, Edmond Halley, utilizando as leis da gravitação universal desenvolvidas por Isaac Newton, computou a órbita de 24 cometas e verificou que existiam tres cometas com órbitas muito semelhantes, os de 1531, de1607 e de 1682. Baseado nos dados orbitais achou que o cometa que havia passado em 1456 também pertencia a esse grupo que se tratava de um único cometa com período de 76 anos.

Previu que esse cometa passaria novamente em fins de 1758 ou princípios de 1759. Um astrônomo amador observou em dezembro de 1758 a volta do cometa o qual desde então ficou conhecido como Cometa de Halley. Posteriormente, analisando registros históricos foram encontradas citações dos Chineses de sua passagem desde 239 a.C. mas não há citação européia anterior a 1456. Entre vários registros salientaremos o referente à passagem do cometa em 1066 quando se enfrentaram o Rei Haroldo da Inglaterra e Guilherme, o Conquistador, Duque da Normandia na batalha de Hastings batalha essa que ficou retratado na Tapeçaria de Bayeux.

Famosa Tapeçaria de Bayeux na qual a Rainha Matilde mandou gravar a história da vitória de seu marido, o Guilherme o Conquistador sobre o Rei Haroldo da Inglaterra em 1066. Nesta cena informam ao Rei Haroldo os maus presságios associados à passagem de um cometa (o Halley). (Bayeux, França)

Duas chuvas de meteoros estão associadas ao Cometa de Halley: a Eta Aquarids observada na noite do dia 4 de maio, com 20 meteoros por hora no Hemisfério Norte e 50 no Hemisfério Sul e a Orionids com um máximo de 20 meteoros por hora em 20 de outubro.

Como o período da órbita de 76 anos do cometa não está sincronizada com o da Terra em cada retorno sua dis-tãncia da Terra é variável. Assim é que em 1986 ele passou distante causando desapontamento. Na próxima passagem, tanto antes como após sua passagem pelo periélio em 28 de julho de 2061 também não serão favoráveis. Em compensação após passar pelo periélio em 27 de março de 2134 ele se aproximará da Terra até 13,9 milhões de quilômetros em 7 de maio de 2134 e deverá ser bem visível.

 

Foto do Cometa de Halley tirada pelo telescópio Anglo-Australiano em abril de 1986. (AAT, Australia)

 

A decepção da população com a passagem do Halley em 1986 foi compensada pelas informações que as espaçonaves: Giotto, Vega1, Veja 2, Suisei ou Planet-A, ICEE-3, Sekigake e Pioneer Venus enviaram aos cientistas.

A espaçonave da ESA Giotto passou a 596 km do núcleo do Halley em 13 de março de 1986, quando o cometa se encontrava a 0,89 UA do Sol e a 0,98 UA da Terra. Ela enviou dados científicos e imagens fantásticas mas, 14 segundos antes de sua maior aproximação foi atingida por um grande fragmento que provocou a inclinação da espaçonave com a consequente exposição durante 30 minutos de áreas não protegidas, provocando a destruição parcial de vários equipamentos, entre eles, a câmera fotográfica.

 
A espaçonave Giotto, com blindagem especial (superfície branca de baixo) voou por dentro da cauda e da coma, chegando a 596 km do núcleo. (ESA)
A espaçonave ICE, lançada em 1978 foi a única espaçonave da NASA a tomar parte no esforço internacional do estudo do Cometa de Halley. (NASA)
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A espaçonave Sekigake lançada para o estudo do Cometa de Halley por não tendo blindagem especial analizou o cometa à distância. (ISAS)
A espaçonave Vega-2 antes de ser lançada para a sua viagem para Vênus e para o Cometa de Halley. (IKI)
Nesta foto vemos a nave Suisei ou Planet-A antes de sua viagem histórica. (ISAS)

 

Resultados científicos

O objetivo principal do envio de naves espaciais na direção do Cometa de Halley foi o de obter uma fotografia do núcleo do cometa para sabermos como ele era: ou uma grande bola de gelo sujo ou tratava-se de um aglomerado de corpos independentes executando a mesma órbita.

Como o núcleo dos cometas sempre fica envolto por uma espessa nuvem de gás e poeira, a coma, não era possível observarmos da Terra a sua superfície.

A resposta a esta pergunta veio das fotos enviadas pelas espaçonaves Vega e Giotto. O núcleo não era redondo mas tinha uma forma irregular, mais parecida com uma casca de amendoim. Suas dimensões eram de 15 km de comprimento por 8 km de largura, correspondendo a um volume total de 500 quilômetros cúbicos.

 

 

Foto enviada da Giotto quando esta se encontrava a 20.160 km de distância do Cometa de Halley. Note como as regiões ativas são bem localizadas. (ESA)

 

As fotos enviadas pelas naves também mostraram que o núcleo era muito mais escuro do que se pensava, sendo a maior parte da superfície tão escura que reflete apenas 4% da luz solar incidente. As fotos da Giotto tam-bém mostraram a existência de crateras e planaltos.

Não mais que 10% da superfície do cometa se apresentava ativa e os centros de atividade, responsáveis pelo material expelido que formam a coma e a cauda, só eram ativos quando estavam voltados para o lado do Sol, estingundo-se ràpidamente quando se fazia noite na região. Não mais que 10% da superfície do cometa se apresentava ativa e os centros de atividade, responsáveis pelo material expelido que formam a coma e a cauda, só eram ativos quando estavam voltados para o lado do Sol, estingundo-se ràpidamente quando se fazia noite na região.

Foram medidos dois períodos de rotação diferentes do núcleo do cometa de Halley: um de 2,2 dias e o outro de 7,3 dias. Isto segere que ele tenha uma complicada rotação multi-axial. A densidade foi estimada como variando de 0,1 a 0,8 g/cm3.

Foto do Cometa de Halley enviada pela espaçonave Vega-2. (IKI)

 

A Pioneer Venus, que estava orbitando o planeta Venus, apontou seus instrumentos que operavam na faixa do ultra-violeta, para o cometa, e detectaram uma nuvem de hidrogênio com 20 milhões de km.

A composição do gás que sai do cometa é formada de 80% de vapor d'água, 3 a 4 % de dióxido de carbono e grande parte do restante é monóxido de carbono.

A temperatura das camadas externas do núcleo situadas do lado onde é dia, medidas pela Giotto chegou a de 330 K, ou seja de 57° C. Esta temperatura é bem maior que a necessária para dar início à sublimação, que é de 215 K.

O excesso de calor da superfície é usado para aquecer as camadas inferiores, onde o gás se sublima e é ejetado pelos orifícios da superfície.

 

Reconstituição do cometa de Halley a partir das fotos enviadas pela Giotto. (ESA)

 

Esta página foi revisada e atualizada em fevereiro de 2003.

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