Esta foto da superfície do Sol foi tirada pelo satélite SOHO no ultravioleta extremo (em 304 Å). Ela mostra que na alta cromosfera a temperatura é de 60.000 K. As regiões mais quentes aparecem brancas e são chamadas de regiões ativas. As manchas solares são sempre encontradas abaixo destas regiões brilhantes. O corte nos mostra a estrutura e a dinâmica do interior do Sol. A espaçonave SOHO está a cerca de 1,5 milhões de km da Terra e a 148 milhões de km do Sol. (SOHO/ NASA/ESA)
A superfície do Sol visível da Terra se chama Fotosfera. Ela é uma região gasosa com cerca de 100 km de espessura e com uma temperatura média de 5.800K. É nesta região, devido a sua baixa temperatura, que encontramos átomos de hidrogênio neutros, isto é, não ionizados. Sua aparência é granular. Essas granulações são o topo das correntes convectivas da zona convectiva. Podemos observar uma série de fenômenos ocorrendo na Fotosfera, tais como: manchas solares, faculas, granulações e super granulações.
Toda a superfície do Sol apresenta estas estruturas chamadas de granulações. (NASA)
Nesta foto do Sol enviada pela SOHO em 26 de maio de 1996 vemos as supergranulações. As cores identificam as supergranulações que estão emergindo em azul e as que estão carregando a matéria de volta às profundezas da zona convectiva, em azul. (SOHO/ NASA/ESA)

Toda a superfície do Sol apresenta estas estruturas chamadas de granulações. (NASA)

Nesta foto do Sol enviada pela SOHO em 26 de maio de 1996 vemos as supergranulações. As cores identificam as supergranulações que estão emergindo em azul e as que estão carregando a matéria de volta às profundezas da zona convectiva, em azul. (SOHO/ NASA/ESA)

Granulações são pequenas estruturas que cobrem toda a superfície solar, menos aonde estão situadas as manchas solares. Elas possuem dimensões que vão de 300 a 2.000 km de diâmetro. Elas nada mais são que o topo das células convectivas que trazem das profundezas da zona convectiva material quente. Elas espalham o material pela superfície o qual se esfria e afunda novamente na zona convectiva. A vida mádia de uma granulação não ultrapassa 20 minutos. O material que chega à superfície está à velocidade supersônica de 7 km/s . Ao atingir a superfície ele produz ruído e provoca ondas de choque.

Supergranulações são granulações muito maiores, que chegam a cerca de 35.000 km de diâmetro. Elas são mais visíveis quando se estuda através do Efeito Doppler, a direção com que o material da superfície do Sol se desloca. O Efeito Doppler é o desvio em frequência que a radiação de um corpo sofre devido ao movimento deste em relação ao observador: quando se aproximam a frequência se desloca para o azul enquanto quando se afasta se desloca para o vermelho. A duração da supergranulação é de um a dois dias e a velocidade do material é de 0,5 km/s.

Faculas se apresentam como estruturas mais brilhantes na fotosfera solar. Elas aparecem tanto nas proximidades das manchas solares como afastadas delas. (SOHO/ NASA/ESA)
Três imagens do mesmo grupo de manchas. Na de cima, tirada no visível vemos a fotosfera; na do meio, tirada no ultravioleta, nos mostra a região de transição entre a fotosfera e a cromosfera; na de baixo, tiradaem Raios-X, vemos a violenta atividade que acorre na parte mais baixa da coroa. Ela é devido ao choque de íons positivos que ao escaparem do Sol e se chocam com átomos situados na baixa coroa. (SOHO/NASA/ESA)
Faculas são estruturas granulares brilhantes da fotosfera. Sua temperatura é cerca de 1.000 K mais elevada que a das regiões próximas. Assim como as manchas solares, as faculas estão associadas a regiões onde o campo magnético é intenso, da ordem de milhares de Gauss. Elas sempre estão presentes onde existir uma mancha solar, mas podem aparecer isoladamente. Ainda não sabemos muito sobre elas. Parece que são regiões mais elevadas da fotosfera. Sua vida média é de 90 dias. Enquanto as manchas solares fazem o Sol parecer mais escuro, as faculas fazem o Sol parecer 0,1% mais brilhante durante o período de máxima atividade solar.
Grande mancha solar se aproximando do limbo solar. Podemos ver claramente a umbra, região mais escura e a penumbra, região mais clara que formam a mancha. (SOHO/ NASA/ESA)
Esta mancha solar gigantesca, pertencente à Região Ativa AR9169 foi fotografada em 23 de setembro de 2000. Ela era gigantesca, com uma área superior a dez vezes a área da Terra. Na mesma escala em baixo, à esquerda, desenhamos uma esfera preta representando a Terra. (SOHO/NASA/ESA)
Manchas Solares são regiões escuras que aparecem na superfície do Sol. A temperatura na sua região central é de apenas 3.700 K, dois mil graus abaixo da temperatura da fotosfera. Sua vida média é de alguns dias muito embora as maiores possam durar várias semanas. Elas são regiões onde o campo magnético é muito intenso, chegando a vários milhares de Gauss, ou seja, milhares de vezes mais intenso que o campo magnético da Terra.

A região ativa do Sol AR 9393 (contadas desde 1973) do ciclo solar 23 foi a região que tinha o maior número de manchas solares individuais desse ciclo. Em 30 de março de 2001, a área total das manchas deste grupo chegou a mais de 13 vezes a área da Terra. Durante a sua vida ativa essa região gerou inúmeros flares e ejeção de matéria coronal. Nela, no dia 2 de abril, ocorreu o maior flare observado nos últimos 25 anos. (SOHO/ NASA/ESA)
As manchas solares geralmente aparecem aos pares, uma com polaridade magnética positiva enquanto a outra com polaridade magnética negativa. As linhas de campo saem de uma mancha e entram na outra, de polaridade oposta. A intensidade do campo magnético é maior nas partes mais escuras, denominada de umbra e mais fraco nas regiões mais claras, denominadas de penumbra. O campo magnético tem sua origem no movimento do gás no interior do Sol. O maior número de manchas solares ocorrem no Sol numa periodicidade de 11 anos.
Nesta curva sobreposta ao Sol vemos como variou o número de manchas solares durante o ciclo 23. (SOHO/NASA/ ESA)
Nesta figura vemos o Diagrama de Borboleta que mostra que as manchas solares no início de um ciclo solar aparecem em altas latitudes e no final do ciclo são mais numerosas próximas do equador. (NASA)
O ciclo de atividade solar tem uma duração de 11 anos, durante o qual ocorre um máximo de atividae e um mínimo. Chamamos de máximo o período durante o qual a soma do número de manchas individuais solares é maior e, consequentemente ocorrem as maiores atividades solares associadas a elas, tais como as fulgurações solares. Não conhecemos a origem precisa desta periodicidade mas tudo parece estar associado ao afloramento das linhas do campo magnético gerado na zona convectiva. O ciclo completo do Sol na verdade dura 22 anos posto que de um ciclo de 11 anos para outro ocorre a inversão na polaridade magnética da mancha precedente. Se esta mancha no ciclo anterior tinha polaridade positiva no ciclo seguinte tem polaridade negativa. As primeiras observações das manchas solares foram feitas por Galileu em 1610, utilizando seu telescópio. As observações diárias do Sol iniciaram em 1749 no Observatório de Zurique, Suiça. Após o estudo da atividade do Sol durante mais de dois séculos e meio podemos dizer que essa atividade não é constante ao longo do tempo. Houveram inúmeros ciclos com baixíssima atividade entremeados por outros mais elevada. Até hoje o ciclo mais intenso observado foi o 19 que ocorreu de 1955 a 1966. Estamos atualmente na fase descendente do ciclo 23, cujo máximo ocorreu entre os anos 2000 e 2001. A intensidade do presente ciclo 23 está situada dentro da média.
Nesta foto em Raios-X podemos ver uma fulguração ocorrendo na borda do Sol. Observe como os arcos magnéticos ficam visíveis. (SOHO/NASA/ESA)
Fulguração solar observada no visível. (Big Bear Solar Observatory)
Fulgurações ou Flares Solares são explosões gigantescas que ocorrem na superfície do Sol. Elas ocorrem nas proximidades das manchas solares. Como nas manchas o campo magnético é muito intrincado e intenso, em algum lugar a energia magnética pode ficar aprisionada sendo liberada repentinamente. A explosão injeta radiação, na forma de partículas carregadas, gás, eléctrons, luz visível, ultravioleta e raios-X, no meio interplanetário. Quando essa radiação atinge nosso planeta interage com o nosso campo magnético dando origem a auroras, causando problemas nas comunicações em rádio e microondas, problemas nas linhas de transmissão de eletricidade com cortes de fornecimento, modificando órbitas de satélites artificiais e colocando em risco a vida de astronautas. A temperatura das partículas liberadas na hora da fulguração pode atingir de 10 a 100 milhões de graus K. Essa explosão é tão forte, da ordem de bilhões de megatons de TNT, que provoca terremotos na superfície do Sol cuja escala pode atingir o valor de 11,3 na escala Richter.

As fulgurações se classificam como tipo X, tipo M que tem um décimo da intensidade das tipo X, e as tipo C que por sua vez tem um décimo da intensidade das de tipo C. A energia liberada é tipicamente da ordem de 10^27 ergs/s mas pode chegar a 10^32 ergs/s. Ela é dez milhões de vezes maior que a energia liberada numa erupção vulcânica mas, por outro lado é apenas menos de um décimo da energia liberada pelo Sol a cada segundo.

Esta página foi revisada e atualizada em outubro de 2003.

euscalise@hotmail.com