Esta é a primeira fotografia do asteróide Annefrank tirada pela espaçonave Stardust no dia 5 de outubro de 2002 à distância de 3.000 km. Como podemos ver ele tem forma irregular e possui várias crateras. (NASA- JPL-Univ. Washington)
 
Nesta foto de Annefrank, idêntica à do lado esquerdo, foi colorida artificialmente. As cores mostram as regiões do asteróide mais brilantes (vermelho) e mais opacas (azul) .Estima-se que o asteróide tenha 4 km de diâmetro. (NASA- JPL-Univ. Washington)

 

Asteróides ou pequenos planetas, são corpos rochosos e metálicos, que orbitam em torno do Sol ou acompanham o movimento orbital de alguns dos planetas em pontos específicos, quando são chamados de Troianos. São muito pequenos para serem chamados de planetas e por isso são chamados de planetóides ou pequenos planetas.

O Cinturão de Asteróides é a região do Sistema Solar, situada entre as órbitas de Marte e de Júpiter, que contém um número incalculável de asteróides. Seu tamanho é variado, mas apenas 26 possuem centenas de quilômetros de diâmetro. A gande maioria é de pequenas dimensões. Suas órbitas estão situadas de 2 a 4 UA do Sol, são elípticas e eles completam uma volta em torno do Sol a cada 3 a 6 anos. Eles não estão espalhados uniformemente pelo Cinturão. Devido à ação gravitacional de Júpiter existem algumas regiões do Cinturão que não possuem asteróides. Esses claros foram descobertos por Daniel Kirkwood (1814-1895) em 1866.

Ainda sabemos muito pouco a respeito da população de asteróides. O último levantamento, efetuado no infra-vermelho pelo ISO (Observatório Espacial no Infra-vermelho, da agência européia ESA) mostrou que podem haver entre 1,1 e 1,9 milhões de asteróides com 1km de diâmetro. Corpos com menores dimensões devem chegar a milhões e até bilhões. Até 28 de março de 2002 haviam 39.462 asteróides catalogados. Entre eles estão os Asteróides que se Aproximam da Terra (NEA), os quais já chegam a 500. Esse número deve aumentar pois calcula-se que devam existir cerca de 1.000 asteróides com mais de 1 km de raio que possuem órbitas que passam muito próximas da Terra e que ainda não foram detectados. Eles constituem um perigo para a humanidade e é muito importante termos um perfeito conhecimento deles e de suas órbitas.

 
Neste desenho mostramos a região do Sistema Solar onde há maior concentração de asteróides. (arte:enchante learning)
 
Nesta arte mostramos um asteróide se chocando com a Terra. (arte: Astronomy.com: Elizabeth Rowan)

O maior asteróide do Anel de Asteróide é Ceres, que possui 933 km de diâmetro e foi descoberto em 1801. Até junho de 2002, quando foi confirmado que o objeto do Cinturão de Kuiper denomnado de Quaoar tinha 1.250 km de diâmetro, ele era o maior asteróide do Sistema Solar. A massa de Ceres corresponde à 25% da massa total dos asteróides. A massa total dos asteróides é de cerca de 2,3x10^12kg, que corresponde a 1/30 da massa da Lua que é de 7,35x10^22kg.

Não sabemos com certeza qual a origem do material existente no anel de asteróides. Uma hipótese diz que ele pode ser originário do material que não conseguiu se converter num planeta, pois sua massa total era muito pequena. Outra hipótese, menos satisfatória, sugere que havia um planeta que se fragmentou ao se chocar com um grande cometa. Outra diz que os asteróides são o resultado da colisão e fragmentação de dois ou mais grandes corpos; a forma irregular de muitos asteróides nos leva a aceitar esta última hipótese.

A classificação dos asteróides é feita a partir do estudo da luz solar refletida por ele. Esta classificação apresenta alguma semelhança com a dos meteoritos já que eles devem pertencer à mesma classe de objetos.

Classe C ( C de carbonáceos) Nesta classe estão mais de 75% dos asteróides conhecidos. Eles são muito escuros e apresentam um albedo de 0,03. Eles possuem aproximadamente a mesma composição química do Sol menos hidrogênio e hélio.

Classe S ( S de silicatos) Nesta classe estão 17% do total. São objetos relativamen-te brilhantes com albedo variando de 0,10 a 0,22. Eles possuem composição metálica (níquel e ferro) misturados com silicatos de níquel, de ferro e de magnésio.

Classe M (M de metálicos) Nesta classe estão reunidos praticamente o restante. Eles são luminosos, com albedo variando de 0,10 a 0,18, e são constituidos de puro níquel e ferro.

Classe E (E de enstatite silicato de magnésio).

Classe R (R de red, vermelho em Inglês).

Existem outras classes, P, D e U, muito raras, às quais estão associados poucos asteróides.

 

 


Neste desenho mostramos a posição dos dois pontos Lagrangianos estáveis do sistema Sol - Júpiter, o ponto precedente L4 e o ponto seguinte L5. Note como L4, Sol e Júpiter ocupam os vértices de um triângulo equilátero. O mesmo acontece com L5, Sol e Júpiter.

Asteróides Troianos

Alguns asteróides, chamados Troianos, executam suas órbitas na mesma órbita de um planeta, ocupando a região dos pontos Lagrangianos L4 e L5. Eles são chamados de Troianos devido ao fato de que à medida em que foram sendo descobertos receberam nomes de heróis da Guerra de Tróia constantes da Ilíada de Homero. Para sermos mais precisos, os asteróides situados no ponto L4 receberam o nome dos heróis da Grécia da Iliada, e os situados no ponto L5 receberam os nomes dos heróis de Tróia da Ilíada. O primeiro descoberto. em 1906, estava situado na órbita de Júpiter. Posteriormente, não só os asteróides posicionados nos pontos L4 e L5 de Júpiter mas todos os asteróides descobertos nos pontos L4 e L5 dos outos planetas passaram a se chamar Troianos. Esses asteróides vem sendo capturados pelos planetas desde o início da formação do Sistema Solar. Centenas desses asteróides já foram descobertos e muitos ainda estão para serem detectados. Curiosamente existem muito mais corpos no ponto precedente L4 que no ponto seguinte L5. Eles são corpos com pequenas dimensões, não ultrapassando 300 km de diâmetro. Até hoje foram detectados asteróides Troianos apenas nas órbitas de Marte, Júpiter e Netuno.

Pontos Lagrangianos (nome dado em homenagem ao matemático Italo-francês Joseph Louis Lagrange (1736 - 1813) que os descobriu. São cinco pontos espaciais que existem na região orbital de dois grandes corpos. No caso do sistema Júpiter - Sol os Pontos Lagrangianos são pontos estáveis livres da atração gravitacional desses dois corpos. Nesses pontos, um objeto pode executar uma órbita cuja distância aos dois corpos massivos permanece constante. Isto acontece porque, nesses cinco pontos a força gravitacional dos grandes corpos é exatamente igual à força centrípeta necessária para rodar com os dois corpos. Tres desses pontos são instáveis (L1, L2 e L3) e dois são estáveis (L4 e L5). Cada um dos pontos Lagrangianos estáveis formam um triângulo equilátero com as duas grandes massas, isto é, devem estar posicionados 60° antes ou 60° depois do planeta. Devido à presença de Saturno, um planeta de grande massa, L4 e L5 do sistema Sol-Júpiter sofrem influência gravitacional de Saturno e assim sendo temos realmente um sistema mais complexo que o de apenas tres corpos.

 

Na tabela abaixo fornecemos os dados relativos a alguns asteróides.

 

Número e Nome
Diâmetro (km)
Período de rotação (h=horas d=dias)
Período orbital (anos)
Exentricidade da órbita
Classe espectral
Semi-eixo maior (UA)
Massa (kg)
Descobridor
Data
1 Ceres
960 x 932
9,075h 4,6 0,0789
C
2,767 8,70x10^20
G. Piazzi 1801
2 Palas
570x525x482
7,811h 4,61 0,2299
U
2,774 3,18x10^20 H. Olbers 1802
3 Juno
240
7,210h 4,36 0,2579
S
2,669 2,00x10^19 K. Harding 1804
4 Vesta
530
5,342h 3,63 0,0895
U
2,362 3,00x10^20 H. Olbers 1807
45 Eugênia
226
5,699h 4,49 0,0831
FC
2,721 1,08x10^16 H. Goldschmidt 1857
216 Cleópatra
217x94
5,385h 4,67 0,2535
M
2,793 1,08x10^16 J. Palisa 1880
253 Matilde
66x48x46
17,4 d 4,3 0,2663
C
2,645 2,00x10^17 J. Palisa 1885
433 Eros
33x13x13
5,27h 1,76 0,223
S
1,458 7,20x10^15 G. Witt 1898
2060 Chiron
180
5.9h 50,7 0,3831
B
13,70 1,08x10^16 C. Kowal 1977
4179 Toutatis
4,6x2,4x1,9
5,41d e 7,35d 3,98 0,6344
S
2,510 5,00x10^13 C. Pollas 1989

 

Esta página foi revista e atualizada em novembro de 2005.

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