Nesta figura mostramos o relêvo de Marte. A resolução espacial é de 5 km na região Equatorial e um pouco menor em maiores latitudes. A precisão na vertical é melhor que 5 metros. A grande depressão (região de impacto Hellas) em azul escuro, no mapa da direita, em baixo, contrasta com a grande elvação (Tharsis) no mapa do lado esquerdo. (NASA,GSFC, Mars Orbiter Laser Altimeter (MOLA))

 

Marte é o quarto planeta mais afastado do Sol. Com um diâmetro equatorial de 6.787 km é o terceiro em tamanho dos planetas telúricos. Sua distância média do Sol é de 227.940.000 km sendo a excentricidade de sua órbita de 0,0934. Seu dia dura 1,026 dia terrestre, ou seja, 24 horas, 34 minutos e 26 segundos e seu ano dura 1,88 ano terrestre ou 686,98 dias.

A densidade do planeta é 3,8 que é um pouco maior que a densidade de uma rocha terrestre comum. Isso implica que seu núcleo não pode ser constituido de um material muito denso pois isso faria aumentar a densidade do planeta. O relêvo de sua superfície é semelhante ao da Terra, com crateras, planícies, planaltos, vulcões extintos, fendas e outros acidentes geográficos. Suas montanhas (vulcões extintos) são as mais elevadas do Sistema Solar.

As estações do ano ocorrem em Marte da mesma forma que ocorrem na Terra porque a inclinação de seu eixo com relação ao plano da eclítica é de 25°, um pouco maior que a da Terra. A diferença é que a órbita da Terra é quase circular e a de Marte um pouco exêntrica, o que faz com que seu periélio seja de 1,36 UA e o afélio de 1,64 UA. Quando no Hemisfério Norte do planeta é verão ele está a 245.340.506 km do Sol e, quando for verão no Hemisfério Sul o planeta estará muito mais perto do Sol, a 203.453.103 km. Isto resulta em dois verões completamente diferentes, um verão frio, sem poeira na sua atmosfera, o verão do Norte, e um verão quente, com tempestades de poeira, o verão do Sul. Como a órbita do planeta é eliptica e o Sol não está no centro a duração das estações são diferentes. Assim, no Hemisfério Norte as estações duram: Verão (185 dias), Outono (147 dias), Inverno (158 dias) e Primavera (199 dias), no Hemisfério Sul elas duram: Inverno (185 dias), Primavera (147 dias), Verão (158 dias) e Outono (199 dias).

A temperatura mais baixa do planeta ocorre nas suas calotas polares, podendo chegar a -143° C enquanto que a temperatura mais elevada pode chegar ocasionalmente a 27° C no verão.

Marte possui duas luas, de pequenas dimensões, Fobos e Deimos. Inicialmente pensava-se que, por suas dimensões, tratavam-se de luas artificiais. Marte possui 6 asteróides Troianos, 1 em L4 (precedente) e 5 em L5 (seguinte).

Dezenas de naves espaciais já foram lançadas na direção de Marte, tendo algumas entrado em órbita, outras descido na superfície do planeta e várias falharam no seu objetivo. O envio de naves continuará nos próximos anos visando estudar melhor o planeta e mapeá-lo com maior resolução. Num futuro próximo o ser humano descerá neste planeta.

 
A camera grande angular da Mars Global Surveyor tirou esta foto na qual mostra um eclipse de Fobos. Quando o satélite passou na frente do Sol às 2 horas da tarde de 26 de agosto de 1999, sua sombra se projetou na superfície do planeta. (Malin Space Science Systems/NASA)
 
Foto do robô Sejourner enviada pela espaçonave Mars Pathfinder. (Malin Space Science Systems /NASA)

 

O planeta Vermelho é conhecido há milênios tendo sido relacionado, tanto pelos Gregos como pelos Romanos, como o deus da guerra. Para os Babilônios, que estudavam astronomia desde 400 a.C., era associado a um grande herói, o rei dos conflitos. Os Egípcios, foram os primeiros a notar que as estrelas eram corpos fixos no céu e que o Sol e cinco outros corpos brilhantes (Mercúrio, Vênus, Marte, Jüpiter e Saturno) se deslocavam contra o fundo estelar.

 
Neste desenho da superfície de Marte vemos como o astrônomo Giovanni Schiaparelli via Marte de seu telescópio. Ele desenvolveu uma nomenclatura para identificar os acidentes geográficos de Marte.
 
Capa da revista Classics Illustrated na qual mostra a invasão dos Marcianos, baseado no romance de H.G.Wells.

 

Muito embora o telescópio tenha sido descoberto no início do século XVII e já em 1609 Galileo Galilei (1564-1642) tenha sido o primeiro a utilizá-lo com propósitos científicos esse instrumento só passou a ser amplamente utilizado no século seguinte. Desde o início mostrou-se como um equipamento excepcional para estudar Marte. No século XIX diversos paises construiram Observatórios dotados de instrumentos de grande porte.

Em 1877, Padre Giovanni V. Schiaparelli (1835-1910), Diretor do Observatório de Brera, Itália, iniciou o mapeamento do planeta Marte e a dar nomes nos acidentes geográficos. Ele deu o nome de heróis históricos e mitológicos ao que achava serem mares e continentes. A umas estrias na superfície denominou "canali" (canais), têrmo esse que foi mal interpretado posteriormente pela população. Como em 1869 havia sido completado o canal de Suez a população pensou que os canais marcianos haviam sido construidos artificialmente por marcianos. Em 1877 Asaph Hall (1829-1907) descobriu as pequenas luas de Marte, Fobos e Deimos.

Em 1894 o astrônomo norte-americano Percival Lowell (1855-1916), após observar Marte, decidiu comunicar oficialmente que os canais eram verdadeiros e que haviam sido feitos por seres inteligentes que habitavam Marte e destinavam-se a transportar água das calotas polares para as mais variadas regiões do planeta.

As teorias de Lowell influenciaram de tal forma o escritor inglês H.G.Wells (1866-1946) que este escreveu um livro de ficção científica a respeito da invasão da Terra por seres alienígenas provenientes de Marte. As pequenas luas de Marte foram logo imaginadas como corpos artificiais colocados em órbita pelos Marcianos. Telepatas começaram a se comunicar com os supostos alienígenas e alguns dos objetos não identificados avistados na Terra foram logo associados a eles.

Todas essas teorias só foram modificadas quando a primeira foto do planeta foi enviada em 14 de julho de 1965 pela Mariner 4. Nessas fotos, de baixa qualidade quando comparadas com as de hoje, podia-se ver que a superfície de Marte era crivada de crateras de impacto semelhantes à da Lua e que não havia a mínima possibilidade de haver vida inteligente.

Mas a dúvida voltou em 1976, com uma foto enviada pela Viking 1 Orbiter. Nessa fotol aparecia um rosto esculpido numa elevação. A Mars Polar Lander enviou no ano 2000 uma nova foto da "Face" que elucidou que o que vimos era apenas devido à sombras do relêvo. Mas para desvendá-la definitivamente teremos que esperar fotos da região com maior resolução.

 
Primeira boa foto de Marte tirada pela Mariner 4 em 1965. (NASA)
 
Na foto maior temos a imagem da região denominada Complexo de Pirâmidae Cydonia, enviada pela Viking 1 Orbiter. No alto à esquerda nova foto da "face" tirada pela Mars Polar Lander. (NASA)

Nesta foto vemos a região denominada de Complexo de Pirâmidae Cydonia, enviada pela ESA Mars Express na sua órbita 3253, utilizando a câmera de alta resolução estéreo, em 22 de julho de 2006. A resolução é de aproximadamente 13,7 metres por pixel. Cydonia está localizada a aproximadamente 40,75° Norte e 350,54° Este . Com esta foto detalhada da "face" ficou resolvido esse enigma da superfície de Marte. Essa foto nos mostra também detalhes geológicos desta região que em muito auxiliarão para compreendê-la. Cydonia está localizada na Região de Marte denominada de Arabia Terra e pertence a uma zona de transição entre as regiões elevadas do Sul e as planícies do Norte.(ESA)

 

Outras informações sobre Marte em: http://planetavermelho.hypermart.net

Esta página foi revista e atualizada em setembro de 2006.

 

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