| Nesta
foto do Sol vemos uma grande mancha solar. Num corte mostramos
suas camadas interiores: a zona convectiva em laranja, a zona
radiativa em amarelo e o núcleo em branco. (NASA) |
O
interior do Sol é constituído por quatro camadas:
o núcleo, onde ocorrem as reações de
fusão, a zona radiativa, onde a energia é conduzida
através do processo de radiação, a camada
interfaceadora onde provavelmente é gerado o campo
magnético do Sol e a zona convectiva onde o processo
de condução da energia é convectivo.
O
núcleo ocupa a parte mais interna do Sol tendo mais
de 175.000 km de raio. Nessa região a temperatura atinge
15.600.000 K e a força da gravidade puxa para o centro
toda a massa, criando uma pressão da ordem de 250 milhões
de atmosfera. A densidade chega a 150 g/cm3. A pressão
é tão elevada que força os átomos
de hidrogênio a se combinarem através de reações
de fusão nuclear de tal forma que dois átomos
de hidrogênio se combinam dando origem a um átomo
de hélio-4. Como o átomo de hélio-4 é
menos maciço que os dois átomos de hidrogênio
que deram início ao processo, a diferença em
massa é convertida em energia, como é descrito
pela teoria da relatividade de Einstein (E=mc2). A cada segundo
700.000.000 de toneladas de hidrogênio são convertidas
em aproximadamente 695.000.000 de toneladas de hélio
e 5.000.000 de toneladas de massa convertida em energia. Isso
equivale a 3,86 10^33 ergs ou 386 bilhões de bilhões
de MW de energia que escapam na forma de raios de gama. Desde
seu nascimento, há 4,5 bilhões de anos, ele
já consumiu metade do hidrogênio que havia em
seu núcleo. A 175.000 km do núcleo a temperatura
já é de 7.000.000 K e a densidade cai para 20
g/cm3.
Este
corte do Sol nos mostra suas diferentes velocidades de rotação,
tanto na superfície como no seu interior. As cores
vermelha e amarela representam regiões que giram muito
mais depressa que as verde e azul. As de cor laranja representam
regiões que se movem mais depressa de todas. Observações
feitas pelo satélite SOHO (Observatório Solar
e Heliosférico) mostraram que os valores de velocidade
encontrados na superfície do Sol se estendem até
20.000 km de profundidade. Os dados transmitidos pelo satélite
também indicaram que as manchas solares tendem a se
formar nas regiões limítrofes das faixas de
diferentes rotações. (SOHO/NASA/ESA) |
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Este
corte do Sol nos mostra suas diferentes velocidades de rotação,
tanto na superfície como no seu interior. As cores
vermelha e amarela representam regiões que giram muito
mais depressa que as verde e azul. As de cor laranja representam
regiões que se movem mais depressa de todas. Observações
feitas pelo satélite SOHO (Observatório Solar
e Heliosférico) mostraram que os valores de velocidade
encontrados na superfície do Sol se estendem até
20.000 km de profundidade. Os dados transmitidos pelo satélite
também indicaram que as manchas solares tendem a se
formar nas regiões limítrofes das faixas de
diferentes ro-tações. (SOHO/NASA/ESA) |
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A
zona radiativa se estende por cerca de 325.000 km, a partir
do fim do núcleo. Nesta zona a energia produzida no
núcleo é conduzida para cima através
de fótons que se movem à velocidade da luz.
Assim que o fóton é produzido ele percorre 1
micron (a milésima parte do milímetro) e é
absorvido por uma molécula de gás. A molécula
ao absorver o fóton se aquece e emite um outro fóton
que caminha 1 micron antes de ser absorvido por outra molécula
de gás e assim sucessivamente. O número de interações
nessa zona é tão grande que um fóton
demora cerca de um milhão de anos para atravessar esta
zona. No topo da zona radiativa a temperatura já é
de 2.000.000 K.
A
camada interfaceadora (Tachocline) está situada entre
a zona radiativa e a zona convectiva. Os movimentos calmos
da zona radiativa de sua base se alteram para os movimentos
turbulentos da zona convectiva de seu topo. Hoje acredita-se
que o dínamo magnético responsável pela
geração do campo magnético solar se situa
nes-ta camada.
A
zona convectiva se estende por 200.000 km e é dominada
por correntes convectivas que transportam a energia da zona
radiativa até a superfície. Esse processo convectivo
nada mais é do que correntes ascendentes de gás
quente transportando fótons para a superfície
e correntes descendentes levando gás mais frio de volta
às camadas interiores. Esse processo de transporte
dos fótons é muito mais rápido do que
os processos de transporte no núcleo e na zona radiativa.
A temperatura no topo desta zona é de 5.800 K e a densidade
de apenas 0,0000002 g/cm3.
Chegando
na superfície a energia do fóton é liberada
sob várias formas de radiação: luz ultravioleta,
raios-X, luz visível, infravermelho, microondas e ondas
de rádio. |
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| Nesta
figura vemos como a temperatura e a luminosidade (quantidade
de luz irradiada) do Sol evoluiu e evoluirá ao longo
de sua vida. No ponto A tem início a fusão no
seu núcleo. Vamos chamá-lo de "nascimento"do
Sol. O ponto B mostra o Sol de hoje, o meio caminho de sua
vida. No ponto C todo o hidrogênio do núcleo
do Sol já foi utilizado. No ponto D o sol terá
expandido muito e torna-se uma Gigante Vermelha. No ponto
E após consumido o hélio o Sol explodirá
restando apenas 0,54 de sua massa original. Neste ponto será
uma Nebulosa Planetária. Depois de todo o material
ter se afastado o que restará será uma Anã
Branca com enorme densidade de 2 toneladas por centímetro
cúbico. Continuará se esfriando até tornar-se
uma Anã Negra. (Instituto Astronômico da Universidade
de Am-sterdã) |
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Nascimento
do Sol
O
Sol se originou de uma nuvem de escura e fria cujo principal
constituinte era o hidrogênio. Inicialmente constituiu-se
num glóbulo de gás que colapsou lentamente sob
ação da força gravitacional e se aqueceu
à medida em que a densidade aumentou. O processo todo
foi lento, estando concluído em 50 milhões de
anos. Quando a tem-peratura no seu núcleo chegou a
15 milhões de graus as reações de fusão
tiveram início, o Sol se ascendeu e o vento criado
pela estrela soprou o material da nuvem que ainda não
havia sido utilizado tanto para formá-lo como para
formar os planetas e constituintes menores do sistema.
Quando
se formou o Sol já dispunha de combustível suficiente
para que durasse mais de 11 bilhões de anos. Ele não
era igual ao Sol de hoje. Ele era um pouco menor e tinha 0,9
Raio solar ou cerca de 625.000 km. Tinha apenas 70% da luminosidade
de hoje e sua temperatura de superfície era de apenas
5.586K.
Vida
do Sol
Dessa
época até hoje já se passaram 4,5 bilhões
de anos. O que aconteceu com o Sol durante todo esse tempo?
Seu raio aumentou para 695.000 km, sua luminosidade para 3,83
10^26 Watts, a temperatura de sua superfície subiu
para 5.800K e já consumiu 50% do hidrogênio existente
no seu núcleo.
Nos
próximos milênios o Sol pouco mudará mas
dentro de 1,1 bilhões de anos, quando ele estiver com
5,6 bilhões de anos seu brilho aumentará 10%
e isso causará um efeito catastrófico com a
Terra pois ela ficará muito seca, perdendo o vapor
d'água de sua atmosfera. Será o fim de grande
parte da vida atual no planeta. Quando o Sol tiver 9 bilhões
de anos, dentro de 3,5 milhões de anos ele estará
40% mais brilhante que hoje, na Terra os oceanos terão
evaporado e toda a forma de vida não existirá
mais no planeta. |
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A
Nebulosa do Esquimó (NGC 2392) aparenta ser a cabeça
de uma pessoa coberta por um chapéu de esquimó.
A nuvem de gás em expansão circunda o que restou
de uma estrela semelhante ao Sol que explodiu há 10.000
anos. Essa Nebulosa está situada a cerca de 5.000 anos-luz
de distância, na Constelação de Gêmeos.
(Andrew Fruchter (STScI) et al., WFPC2, HST, NASA) |
Fim
do Sol
Quando
estiver com 10,9 bilhões de anos todo o hidrogênio
de seu núcleo já estará extinto. Com
12,2 bilhões de anos terá expandido muito e
seu raio terá aumentado 166 vezes, chegando a 0,775
UA, sendo classificado como uma estrela Gigante Vermelha.
Sua luminosidade será 2.350 vezes a atual e sua temperatura
de superfície será de apenas 3.100K. O planeta
Mercúrio já não existirá mais
pois foi queimado pelo gigantesco Sol. Nessa ocasião
a temperatura no seu interior terá atingido 100 milhões
de graus e terá início a queima do hélio.
Essa queima durará apenas 100 milhões de anos
e nesse período o Sol encolherá para 18 raios
solares. Com o fim do hélio o Sol voltará acrescer
tornando-se novamente uma Gigante Vermelha. Num processo de
perdas sucessivas de seu envelope externo se tornará
no final deste estágio uma Nebulosa Planetária.
Com uma massa final de 0,54 massa solar, agora do tamanho
da Terra e sem combustível para queimar começará
a esfriar. O que restou dos planetas, com exceção
de Mercúrio que já havia sido destruído,
continua orbitando um Sol já morto que é classificado
agora como Anã Branca. O resfriamento será muito
lento e até esfriar totalmente terão passados
trilhões de anos. Quando esfriar totalmente será
classificado como uma Anã Negra. |
Esta
página foi revisada e atualizada em outubro de 2003.
euscalise@hotmail.com |