|
 |
 |
Com
auxílio das quatro figuras abaixo poderemos entender melhor
a órbita de Sedna. Na primeira figura, situada em baixo e
à esquerda podemos ver as órbitas dos planetas situados
na região interna do Sistema Solar: Mercúrio, Vênus,
Terra e Marte, a região dos asteróides e a órbita
de Júpiter; na figura situada à direita desta vemos
a órbita dos outros planetas externos até Plutão
e o Cinturão de Kuiper. O ponto vermelho mostra a posição
de Sedna por ocasião de seu periélio. Como vemos,
mesmo na sua maior aproximação do Sol, ele está
muito distante.
|
 |
Na
figura inferior à direita vemos a elongada órbita
de Sedna e, finalmente, na figura de baixo à esquerda vemos
a órbita de Sedna comparada à região onde começa
a Nuvem de Oort. As órbitas em cada uma das figuras foram
desenhadas em escala e da últiam para a primeira a escala
se expande. (NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (SSC-Caltech)
|
Sedna
foi o nome dado, provisoriamente, a um corpo do Sistema Solar, recentemente
descoberto. Ele possui dimensões planetárias e executa
sua órbita elíptica muito além da órbita
de Plutão.
O
nome Sedna homenageia a bela deusa dos oceanos, segundo a crença
do povo esquimó Inuit, povo este cuja origem remonta há
mais de 5.000 anos e habitam o circulo polar ártico desde
a península Russa, passando pelo Alasca, até o Canadá.
Quando
descoberto Sedna se encontrava a 90 UA do Sol, aproximando-se do
periélio. Nessa ocasião tratava-se do objeto do Sistema
Solar mais distante, até então observado. Anteriormente
muitos cometas com períodos muito longos e cujas órbitas
os levavam a distâncias muito maiores do Sol haviam sido observados,
mas suas descobertas ocorriam apenas quando estes já se encontravam
cruzando a órbita de Júpiter, ou mais próximos.
Atualmente
(2004), Sedna se encontra a cerca de 13 bilhões de quilômetros
(86 UA), mais que o dobro da distancia média de Plutão
(39,5 UA). Dentro de 72 anos, em 2076, quando passar pelo periélio
ele se encontrará a 76,1 UA. Depois começará
a se afastar e daqui a mais de cinco mil e setecentos anos, ao passar
pelo seu afélio, se encontrará a cerca de 140 bilhões
de km (942 UA), isto é, a 942 vezes a distância média
da Terra ao Sol.
Sua
rotação de 20 a 50 dias é bastante lenta. Essa
baixa velocidade foi associada à presença de um satélite
natural. Observações com o Telescópio Espacial
Hubble efetuadas em março de 2004 mostraram que não
existe nenhum corpo orbitando Sedna. Os cientistas ainda desconhecem
a razão desta rotação tão lenta.
Como
executa sua órbita a uma distância muito grande do
Sol, é um corpo muito frio e, portanto, sua temperatura nunca
fica acima de -240° C. Quando se encontra no afélio essa
temperatura deverá ser um pouco menor.
Suas
dimensões, a serem confirmadas no futuro, deverão
ser inferiores às de Plutão (com 2.320 km de diâmetro),
mas maiores que as de Quaoar (1.200+-200 km), um planetóide
descoberto em 2002. Especula-se que seu diâmetro se situe
entre 1.180 e 1.800 km. Um outro fato interessante a respeito de
Sedna diz respeito à sua cor avermelhada. Depois de Marte,
é o corpo mais avermelhado do Sistema Solar. Sua composição
é desconhecida, mas presume-se que seja constituído
por gelo e rochas.
|
 |
Na
parte de cima desta figura vemos, em escala, o tamanho de Sedna,
comparado com o tamanho de alguns constituintes do Sistema Solar.
Na parte inferior, agora numa diferente escala, mostramos a distância
ao Sol da Terra, de Plutão e de Sedna no afélio. O
Sol não se encontra na mesma escala. |
 |
Se
estivéssemos na superfície de Sedna veríamos
o Sistema Solar da forma mostrada na figura acima. As órbita
de todos os planetas seriam internas e, dessa forma, devido ao brilho
do Sol, os planetas seriam difíceis de se ver durante o dia.
Eles seriam mais visíveis quando o Sol ainda se encontrar
abaixo do horizonte, ou seja, antes do nascer ou logo após
o por do Sol. (NASA, ESA, e Adolf Schaller) |
Desde
o descobrimento de Sedna os cientistas discutem se ele faz parte
do Cinturão de Kuiper ou da Nuvem de Oort.
Alguns
dizem que, devido à sua distância, Sedna não
faz parte do Cinturão de Kuiper, que se estende de 30 a 50
UA, nem da Nuvem de Oort, que se estende de 50.000 a 100.000 UA
de distância.
Como
realiza sua órbita muito mais próxima do Sol do que
se espera de um objeto da nuvem de Oort, mas por outro lado sua
órbita possui uma inclinação próxima
à dos corpos do Cinturão de Kuiper, alguns astrônomos
o consideram como sendo um corpo da periferia interna da Nuvem de
Oort.
Outros
acham que devido à sua inclinação e tamanho
deve ser considerado um corpo do Cinturão de Kuiper e, assim
sendo, as dimensões do Cinturão deveriam ser revistas
para maior.
Diante
desta controvérsia ainda não podemos afirmar se Sedna
faz parte da Nuvem de Oort ou do Cinturão de Kuiper. Decidi
colocá-lo na periferia interna da Nuvem de Oort devido a
sua distância do Sol.
Atualmente
quase nada sabemos a respeito da periferia do Sistema Solar. Será
que existe um espaço vazio entre o Cinturão de Kuiper
e a Nuvem de Oort? Como estarão distribuídos os corpos
aí existentes?
Como
até agora a busca de objetos tão fracos como o Sedna
foi feita em apenas 15% do céu, logo serão descobertos
outros objetos semelhantes.
Certamente,
num futuro próximo outros constituintes do Sistema Solar,
situados a distâncias cada vez maiores, serão descobertos
à medida que novos e mais sensíveis equipamentos entrarem
em operação.
|
 |
| Alguns
dos dados desta tabela são preliminares.
Na Tabela abaixo
mostramos os elementos orbitais do sistema Plutão-Caronte
e de alguns cometas de longo período.
|
 |
Esta
página foi revisada e atualizada em junho de 2004.
euscalise@hotmail.com |