Utilizando o Telescópio Espacial Hubble (HST) da Nasa, cientistas conseguiram identificar componentes da atmosfera de um planeta que circula ao redor de uma estrela distante.


27 de novembro de 2001

Astrônomos, utilizando o HST, conseguiram detectar, pela primeira vez, um componente químico na atmosfera de um planeta situado fora de nosso sistema solar. As observações mostraram que é possível medir a composição química de atmosferas planetárias extra-solares e potencialmente procurar indicadores químicos de vida em planetas distantes.

Esse planeta, cujo tamanho é semelhante ao de Júpiter, orbita uma estrela amarela chamada de HD 209458, situada na constelação de Pegasus, a 150 anos luz de distância. Sua composição atmosférica foi analisada quando o planeta passou em frente da estrela, permitindo que, pela primeira vez, astrônomos observassem a luz da estrela filtrada pela atmosfera do planeta.

David Charbonneau, do Instituto de Tecnologia da Califórnia disse que "Isto abre uma fase nova e excitante na exploração de planetas situados fora do sistema solar, pois agora podemos começar a comparar a composição química das atmosferas de planetas que orbitam outras estrelas."

Charbonneau e colegas, utilizando o espectrômetro do HST descobriram a presença de sódio na atmosfera do planeta. Os astrônomos na verdade viram menos sódio que podia-se esperar para este tipo de planeta da classe de Júpiter. Este planeta foi descoberto em 1999, devido a leve ação gravitacional que ele exerce na estrela. Calcula-se que ele tenha uma massa aproxi-madamente 70 por cento da massa de Júpiter, ou seja, 220 vezes mais volumoso que Terra.

Posteriormente os astrônomos descobriram que o planeta ao executar sua órbita, quando visto da Terra, passa bem em frente da estrela. Ele é o único dos 80 planetas extra-solares descobertos até hoje que pode ser visto transitando na frente de sua estrela. A passagem do planeta na frente da estrela, faz a estrela escurecer ligeiramente.

Observações da luz da estrela durante esse trânsito identificaram a presença de linhas de gases em absorção, confirmando que o planeta é principalmente gasoso, em lugar de líquido ou sólido. Esse pla-neta é ideal para observações repetidas porque ele passa na frente da estrela a cada 3,5 dias, que é o tempo que o planeta leva para completar uma volta em torno da estrela.

A distância do planeta até à estrela é de somente 6,4 milhões de km, cerca de dez vezes mais perto da sua estrela que Mercúrio do Sol. Esta proximidade aquece a atmosfera do planeta a uns 1.100 graus centígrados. Astrônomos chamam tais planetas de "Jupiters quentes."

Os cientistas planejam olhar novamente para a HD 209458 com o HST em outras cores do espectro na tentativa de detectar outros compostos químicos que são filtrados pela atmosfera do planeta. Eles esperam descobrir metano, vapor de água, potássio e eventualmente outras substâncias químicas.

 

Concepção artística de um planeta gigante de gás orbitando o sol amarelo HD 209458. (G. Bacon, STScI)

 
HD 209458 é uma estrela de 7a magnitude da constelação de Pegasus, visível através de bonóculos. O planeta própriamente dito não é visível. Essa constelação é fácilmente visível no Hemisfério Norte. (NASA).
 
Visto da Terra o gigante gasosopassa na frente da estrela a cada 3,5 dias e absorve uma fração da luz da estrela. (NASA)
 
O sódio presente na atmosfera do planeta é removido da luz originária da estrela. (A. Feild, STScI)

 

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