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Fotografia
mostrando no centro o asteróide 2002 AA29. Sua órbita
ao redor do Sol também tem a forma de uma ferradura. (P Wiegert) |
Além
dos planetas, milhares de corpos menores executam suas órbitas
em torno do Sol. A órbita de alguns deles coincidem com a
dos planetas, como é o caso dos 1.200 Troianos que acompanham
Júpiter e dos 8 asteróides que acompanham Marte. Há
muitos anos os astrônomos buscam objetos semelhantes que partilhem
a órbita da Terra (ECA-Asteróides Coorbitais da Terra).
No decorrer das pesquisas verificaram que alguns dos objetos que
compartilham a órbita dos planetas podem vir a tornar-se
luas temporárias do planeta por um determinado período
de tempo.
O
primeiro objeto descoberto cuja órbita está em ressonância
1:1 com a da Terra (NEA - Asteróides Próximos da Terra)
foi o Cruithne, também chamado de asteróide 3753 ou
1986 TO. Ele foi observado pela primeira vez em 10 de outubro de
1986 por D. Waldron e equipe. Possui diâmetro de 5 km e executa
uma órbita bastante excêntrica (excentricidade 0,51)
que vai da órbita de Marte à de Mercúrio. A
inclinação dessa órbita é de 20 graus
e ele completa uma órbita em torno do Sol a cada ano. |
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| Órbita
em ferradura (amarela) de um asteróide sobreposta às
órbitas dos planetas Mercúrio (roxo), Vênus
(verde), Terra (azul) e Marte (vermelho). (arte P. Wiegert York
University) |
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Órbita
em ferradura espiralante (amarela) sobreposta às órbitas
dos planetas Mercúrio (roxo), Vênus (verde), Terra
(azul) e Marte (vermelho). (arte P. York Queen's University) |
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Com
relação à Terra sua órbita é
bastante estranha: espirala numa órbita com forma de ferradura,
cujo período é de 770 anos. A cada 385 anos ele tem
sua maior aproximação da Terra.
Para
entendermos melhor este tipo de órbita sigamos as setas da
linha amarela a partir de seu ponto mais próximo da Terra
(esfera azul). Nesse tipo de órbita o objeto inicialmente
se afasta do planeta, adiantando-se na órbita mais e mais
até aproximar-se dele pelo outro lado e parando no ponto
de maior aproximação; aí reinicia sua trajetória,
agora se afastando na direção opsta aé se aproximar
novamente do planeta, e assim sucessivamente.
Dois
outros asteróides (NEA), o 1998 UP1 e o 2000 PH5 foram descobertos
por Paul Wiegert e eles também compartilham a órbita
da Terra. |
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O
asteróide gira em torno da órbita da Terra, mas inverte
a direção do movimento quando se aproxima pelos dois
lados de nosso planeta. Este fenômeno é o resultado
do movimento ressonante dos dois corpos. Cada giro em torno da órbita
da Terra demora um ano para ser completado. O 2002 AA29 tem que
executar 95 giros (95 anos) para ir de uma extremidade da ferradura
até a outra. No centro temos o Sol. (arte P. Wiegert, Queen's
University) |
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Nesta
figura vemos como é a trajetória do asteróide,
vista ao longo da órbita da Terra, quando se torna nosso
satélite. O Sol se situa à direita, fora da figura.
Vemos que, embora aprisionado nas proximidades da Terra, 2002 AA29
efetua suas órbitas seguramente em torno de nós. Como
há uma pequena diferença entre a velocidade da Terra
e a dele, não ficam completamente estacionários, um
com respeito ao outro. Pelo contrário, o asteróide
se desloca um pouco a cada ano e, passados cerca de 50 anos volta
a descrever a trajetória tipo ferradura. Por isso recebe
o nome de "quase-satélite". (arte P. Wiegert, Queen's
University) |
Os
astrônomos da Universidade Lincoln, envolvidos no projeto
LINEAR (busca de asteróides próximos da Terra) descobriram
em 9 de janeiro de 2002 um outo asteróide, batizado de 2002
AA29, que também executa uma órbita tipo "ferradura".
O tempo necessário para ir ele de uma ponta da "órbita
ferradura" até a outra é de 95 anos, mas cada
órbita em torno do Sol dura 1 ano. Assim, a cada 95 anos
ele se aproxima da Terra. Seu diâmetro é de cerca de
100 metros. Em 8 de janeiro de 2003 estará próximo
da Terra, a 5,8 milões de km, aproximação esta
que só se repetirá 95 anos depois.
À
primeira vista ele se equipara ao asteróide 3753 Cruithne,
descoberto em 1986. A diferença é que o 2002 AA29
periódicamente se torna um "quase satélite"
da Terra. Os astrônomos ainda não sabem se sua órbita
foi sempre assim. Calculando sua trajetória do ano 0 ao 4000,
descobriram que nos ano 572, 2575 e 3880 ele se aproxima mais, chegando
até a 2,9 milhões de quilômetros de distância
da Terra. A partir desses anos e, durante 50 anos, fica sendo a
segunda lua da Terra, muito embora tecnicamente permaneça
sob o controle gravitacional do Sol. Nesse período as órbitas
serão executadas no espaço entre as duas extremidades
da ferradura.
Esse
asteróide pode vir a ter um papel importante na pesquisa
do espaço por parte do ser humano. Os pesquisadores já
especulam que ele possa ser visitado por uma espaçonave e
até por um astronauta. Uns dizem que poderia nos dizer muito
sobre a composição química dos asteróides.
Alguns até especularam que no futuro sua trajetória
poderia ser mudada para que se tornasse um satélite permanente
da Terra, quando poderia então ser estudado detalhadamente. |
euscalise@hotmail.com |